Uma audiência pública proposta pela vereadora Brisa Bracchi (PT) debateu nesta quinta-feira (28) a crise do transporte público na Zona Norte de Natal. O encontro aconteceu no IFRN Zona Norte e reuniu estudantes, trabalhadores, especialistas, usuários do sistema e instituições ligadas ao transporte coletivo para discutir os impactos da precarização do serviço na vida da população. A audiência buscou aprofundar o debate sobre mobilidade urbana a partir da realidade da Zona Norte, região que concentra uma das maiores dependências do transporte público em Natal.
Antes da pandemia, as linhas que atendem a região transportavam cerca de 3,27 milhões de passageiros por mês. Atualmente, os usuários convivem com superlotação, ônibus envelhecidos e aumento do tempo de espera. Para tratar a insuficiência do sistema atual, a Prefeitura prevê, na nova proposta de licitação, a ampliação de 54 para 85 linhas e o aumento da frota de 350 para 424 ônibus. Durante o debate, foram abordados os impactos do transporte precário sobre a qualidade de vida da população, especialmente de trabalhadores periféricos que chegam a passar entre duas e quatro horas por dia em deslocamentos.
“A população da Zona Norte sente diariamente os efeitos do sucateamento do transporte. São trabalhadores e estudantes que passam horas dentro de ônibus lotados, enfrentando atrasos, redução de linhas e longos deslocamentos para acessar direitos básicos na cidade”, destacou a vereadora Brisa Bracchi.
"O debate é sobre a precariedade do transporte público que afeta estudantes, principalmente à noite. Apesar de tentativas anteriores de negociação com a STTU para melhorar as linhas e trajetos, as propostas não foram implementadas. O objetivo da audiência é coletar informações e elaborar um novo relatório para levar à STTU, a fim de garantir o acesso dos estudantes à educação e evitar a evasão escolar", acrescentou.
Ao fazer uso da palavra, o diretor do IFRN Zona Norte, Edmilson Campos, disse que a dificuldade de acesso ao campus universitário na Zona Norte de Natal, devido à falta de transporte público adequado, afeta a frequência e a conclusão dos cursos pelos alunos, sendo o transporte um dos principais fatores de evasão. "A instituição busca resolver o problema há mais de 20 anos, promovendo debates para dar voz aos estudantes e encontrar soluções. Detalhe: temos casos de alunos que moram na Zona Norte e trocam de curso, por vezes para um curso em outra região da cidade, simplesmente porque é mais fácil o acesso, mesmo morando na Zona Norte. Portanto, o assunto é urgente e a iniciativa da Câmara Municipal de trazer esta discussão para o ambiente dos estudantes é muito bem-vinda".
De acordo com o agente territorial Weverton Nascimento, a pandemia agravou dificuldades antigas do sistema de transporte. "Já existiam problemas antes, como linhas insuficientes e falta de organização. A esperada licitação para melhorar o serviço ainda não aconteceu. Há um déficit na rede que atrapalha o acesso ao trabalho, estudos e lazer, especialmente para os moradores da Zona Norte. Isso dificulta o acesso à cidade", pontuou.
Tessa Melo, estudante de Eletrônica, elencou os principais desafios enfrentados pelos estudantes. "Linhas de ônibus insuficientes, horários reduzidos e lotação, especialmente em horários de pico. Falta de estrutura nas paradas, má iluminação e longos tempos de espera, com destaque para o período noturno, gerando ainda mais insegurança". Ela também ressaltou a relevância do debate promovido pelo Legislativo natalense. "As pessoas precisam entender, primeiramente, que os estudantes têm voz, fazemos parte da sociedade e somos afetados por esses problemas. Então, é gratificante saber que existem pessoas que se importam com a gente".
Texto: Junior Martins
Fotos: Elpídio Júnior